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quem eu era aos 6, aos 13 e quem sou aos 32

Quando pequena, aos 6 anos, zapeando os canais da TV à cabo, encontrei o desenho/anime Sakura Card Captors. A estética me pegou de primeira e a história logo em seguida. De alguma forma memorizei os dias, horários e canal em que passava e sempre estava diante da televisão para assistir.

Recordo como se fosse ontem: estava andando pelas ruas do Rio de Janeiro (infelizmente não lembro o bairro), vestindo uma calça jeans que tinha um bordado de flor em renda na barra e uma blusa branca. Segurando as mãos do meu pai, desde pequena ele sempre me levou para sair inúmeras vezes, estávamos indo à caminho da C&A porque eu queria uma roupa da Barbie que tinha visto. Passamos em frente uma banca de jornal e meus olhos brilharam quando eu vi o mangá de Sakura Card Captors!

Meu pai, em suas limitações, nunca me negou nada quando podia. E assim, o puxando desesperadamente falando com muita emoção "pai, compra pra mim, por favoooooor!!", esse foi meu segundo livro, primeiro e único mangá da vida. Eu devorei as páginas e achei muito divertido ler de trás para frente. Estava imersa naquele universo, mas minha mãe como boa cristã, depois de longas semanas, disse que aquele não era o tipo de coisa que eu deveria estar consumindo tão nova. Foi frustrante, mas nunca esqueci o que Sakura me causou. E não, não guardo nenhum rancor da minha mãe.

Aos 13 anos, enquanto minhas colegas de escola estavam preocupadas em beijar garotos, eu estava assistindo Witch e mais uma vez ficando obcecada pelo universo de cinco garotas com poderes especiais lutando contra o mal. 

Claro que minha favorita era a Will. Fiquei tão apaixonada por ela, que meu bicho favorito a partir daquele momento era um sapo! O mesmo que ela tinha. E assim, vários itens de decoração do meu quarto foram mudando para coisas de sapinho. Era porta-celular, porta-retrato, relógio, sapos decorativos e por aí vai... tudo muito fofo, que fique claro!

Quando o McDonald's, sabendo do hype das divas, lançou o McLanche Feliz cujos brindes eram as personagens, eu enchi a paciência dos meus pais para irmos comprar e eu colecionar todas! E não foi uma tarefa difícil, pois éramos quatro e só pedimos um lanche a mais.

Naquela época, cada membro da família assinava um tipo de revista, mas mesmo assim, eu costumava passar na banca de jornal para ver o que tinha de interessante e foi em uma dessas visitas que paguei uma fortuna em uma revista da Witch. Nem preciso reforçar que reli inúmeras vezes, né? Confesso que não lembro que fim se deu todos os cadernos, adesivos, bonecas e mais coisas que meus pais me davam delas e de sapinho. Acho que fui crescendo e meus gostos mudaram um pouco e passei a não me identificar tanto, mas relembro dessa fase com muita alegria.

Agora, os 32 anos, sentada no McDonald's comendo um lanche das Huntrix, olhando para minha irmã, solto a frase: Acho que fazia tempo que eu não me apaixonava tanto por algo.

Quando o filme de K-pop Demon Hunters lançou na Netflix, eu ainda não tinha visto nenhum vídeo ou propaganda a respeito, apenas apareceu como sugestão de lançamento, salvei e no dia assisti. Me apaixonei logo na primeira cena e How It's Done se tornou minha música favorita. Logo depois veio o boom e em todos os lugares só se falava desse trio. Minha time line de todas as redes sociais só davam elas!

Um tempo depois, com lágrimas nos olhos comprei uma ecobag e um boné delas, pois pensei que adulta, dona do meu próprio dinheiro, tenho ainda mais liberdade para comprar as coisas que amo a hora que quiser. Mas não apenas isso, esse sentimento de felicidade me levou ao passado da adolescente e da criança que ainda vivem em mim. E foi sorrindo de uma orelha à outra que mostrei ao meu pai e irmã minhas compras.

Em uma das inúmeras promoções da Amazon, decidi que ira comprar meu primeiro Funko Pop e o escolhido foi a Mira, a personagem de cabelo rosa que me deixou encantada com sua personalidade forte. E essa semana, passando pela livraria, vi um livro com pôsteres do filme e fiquei loooouca para comprar, mas tive que deixar porque tinha outras prioridades no momento. Porém, ainda penso que um dia ele será meu! 

Enquanto admiro os cards que vieram no meu lanche do McDonlad's, penso que eu não mudei tanto assim. Amadurecida para muitas responsabilidades na vida, mas sem deixar a menina morrer. 

Acredito que algumas coisas jamais vão mudar sua essência pois são parte da nossa personalidade. A gente cresce e continua sendo um artista, um nerd, um entusiasta ou qualquer outra coisa. Algumas vezes mudamos o objeto em foco e outras vezes não, porque bem dentro de nós existe uma verdade: somos todos crianças grandes.

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RESENHA: a vida invisível de addie larue

Sinopse: Addie LaRue não queria pertencer a ninguém. Na França de 1714, fugindo de um casamento que não desejava, em um momento de desespero a jovem faz um pacto com um deus da escuridão: Ter a liberdade que tanto sonhava. 

O que ela não imaginava era que a tão desejada liberdade seria acompanhada de uma imortalidade mergulhada no esquecimento. Década após década, Addie vive como um sopro na mente daqueles que a conhecem, mas ao perceber os limites de sua maldição, ela encontra meios de deixar sua marca no mundo, porém isso nunca foi suficiente. Após 300 anos de existência, ela escuta de um rapaz a frase que sempre quis ouvir: “Eu me lembro de você”.

Apesar de ser uma história muito bem escrita, senti que foi cheia de altos e baixos, com momentos mais interessantes e outros nem tanto. O ritmo do livro é lento, mas isso não o torna ruim, apenas exige um pouco mais de paciência do leitor para conhecer as nuances de nossa protagonista – e também de nosso antagonista, Luc.

Addie é uma personagem que cativa o leitor em alguns momentos, mas em outros se apresenta letárgica. Em algumas situações, como quando ela enfrentava Luc, a jovem brilhava aos meus olhos, mas logo em seguida se apagava... Talvez isso seja reflexo da presença de Luc e o quanto ele se infiltrou em seus pensamentos.

Uma das coisas que mais gostei de acompanhar na jornada de Addie foi sua paixão pela arte, mas não apenas isso, e sim a maneira como ela usava esse sentimento como motivação para não se render. Sua história é muito mais interessante do que o romance, que aos meus olhos, se apresentou um pouco simplista e sem grandes emoções até o momento do plot final – que eu já esperava.

Esse livro foi uma das minhas melhores leituras de 2025. Acredito que a grande beleza do livro é a dualidade de emoções que ele provoca no leitor. A narrativa não segue uma linha reta, dá voltas no tempo mostrando o porquê de cada decisão e a complexidade dos personagens. No fim das contas, o livro nos mostra que ter um desejo atendido nem sempre é tão simples quanto parece.

Um fato curioso é que com o passar do tempo, o nome do livro vai se apagando –  isso é característico de livros cujos títulos são hot stamping/relevo seco – e uma garota no TikTok disse que esse efeito combina demais com o livro, pois a história de Addie vai se apagando ao longo do tempo... depois disso, nunca mais consegui observá-lo da mesma forma.

Nota pessoal: ★★★★★

INFORMAÇÕES TÉCNICAS:
Título original: The Invisible Life of Addie LaRue
Autora: V.E. Schwab
Editora: Galera Record
Tradução: Flávia de Lavor 
Páginas: 504
Classificação: 16+/18+ (varia de acordo com as lojas)

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Escrever quando não há inspiração

Caminhar pelas estradas de Sgolbertne é divertido e ao mesmo tempo desafiador. Nosso Reino nos proporciona aventuras todos os dias, não há como ter tédio nessas terras. Assim como eu, todos os aventureiros que decidiram seguir com a velha tradição – BEDA – enfrentamos vilões, como o Grande Crítico, e adversidades que são grandes e pequenas. Mas existe algo que todos nós temos em comum: o desafio de escrever quando não há inspiração.

Não é a tarefa mais simples escrever todos os dias. Alguns podem dizer que não ser nichado é mais tranquilo, você pode ir de receitas sobre poções até críticas de filmes, relatos de como foi o dia, sua roupa favorita para usar na segunda-feira... mas acredito que não é tão fácil assim. Não ter um nicho pode até "ajudar" a variar na criação de algo, mas as vezes isso lhe bloqueia ao invés de trazer liberdade.

Então, quando se está bloqueado, sobre o que escrevemos?

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Ora, os pergaminhos antigos da Biblioteca Eterna revelam: desde que o mundo é mundo, quando isso acontece, escrevemos sobre não escrever. Sobre como nos sentimos ou lidamos com isso. Escrevemos sobre estarmos bloqueados e as estratégias que usamos ou não para derrubar a barreira.

E esta Barda está passando pela dificuldade de encontrar algo para escrever. Tenho lamentado por minhas colegas aventureiras – Anya, Soh e Taemi – que tiveram suas casas destruídas pelo vilão Reggolb. Tenho esperança de que elas possam reconstruir ou encontrem um novo local para habitar, mas isso me deixou levemente desmotivada ao ponto de não conseguir pensar em quais palavras trazer para encantar os heróis, patrulheiros e andarilhos. 

Na tentativa de transformar os sentimentos em arte, lhes escrevo que esta tem sido uma tarefa um pouquinho árdua, mas tudo bem. Nem sempre precisamos de estratégias ou ideias mirabolantes, a gente só se permite não escrever e assim, quando menos esperamos, a inspiração volta!

Mas se for para revelar um truque, aqui vai o meu: ficar ociosa. 

Na infância, quando estava entediada, minha imaginação criava histórias e cenários épicos que não apenas me distraiam, mas me divertiam! E é assim até hoje. 

De acordo com a neurocientista Alicia Walf, pesquisadora do Departamento de Ciências Cognitivas do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, ficar entediado é fundamental para a saúde do nosso cérebro, pois, além de promover ideias criativas, o cérebro descansa.

Mas não é um tédio/ócio programado, é quando canso de olhar para a tela em branco e decido fazer outra coisa não tão legal, como pendurar as roupas no varal depois de ficarem 3 horas na máquina de lavar, que um título surge e consequentemente, as palavras.

Então, queridos companheiros de campanha, quando sentirem que não há mais ideias para escrever e criar, que tal lavar uma louça?

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