Quando pequena, aos 6 anos, zapeando os canais da TV à cabo, encontrei o desenho/anime Sakura Card Captors. A estética me pegou de primeira e a história logo em seguida. De alguma forma memorizei os dias, horários e canal em que passava e sempre estava diante da televisão para assistir.
Recordo como se fosse ontem: estava andando pelas ruas do Rio de Janeiro (infelizmente não lembro o bairro), vestindo uma calça jeans que tinha um bordado de flor em renda na barra e uma blusa branca. Segurando as mãos do meu pai, desde pequena ele sempre me levou para sair inúmeras vezes, estávamos indo à caminho da C&A porque eu queria uma roupa da Barbie que tinha visto. Passamos em frente uma banca de jornal e meus olhos brilharam quando eu vi o mangá de Sakura Card Captors!
Meu pai, em suas limitações, nunca me negou nada quando podia. E assim, o puxando desesperadamente falando com muita emoção "pai, compra pra mim, por favoooooor!!", esse foi meu segundo livro, primeiro e único mangá da vida. Eu devorei as páginas e achei muito divertido ler de trás para frente. Estava imersa naquele universo, mas minha mãe como boa cristã, depois de longas semanas, disse que aquele não era o tipo de coisa que eu deveria estar consumindo tão nova. Foi frustrante, mas nunca esqueci o que Sakura me causou. E não, não guardo nenhum rancor da minha mãe.
Aos 13 anos, enquanto minhas colegas de escola estavam preocupadas em beijar garotos, eu estava assistindo Witch e mais uma vez ficando obcecada pelo universo de cinco garotas com poderes especiais lutando contra o mal.
Claro que minha favorita era a Will. Fiquei tão apaixonada por ela, que meu bicho favorito a partir daquele momento era um sapo! O mesmo que ela tinha. E assim, vários itens de decoração do meu quarto foram mudando para coisas de sapinho. Era porta-celular, porta-retrato, relógio, sapos decorativos e por aí vai... tudo muito fofo, que fique claro!
Quando o McDonald's, sabendo do hype das divas, lançou o McLanche Feliz cujos brindes eram as personagens, eu enchi a paciência dos meus pais para irmos comprar e eu colecionar todas! E não foi uma tarefa difícil, pois éramos quatro e só pedimos um lanche a mais.
Naquela época, cada membro da família assinava um tipo de revista, mas mesmo assim, eu costumava passar na banca de jornal para ver o que tinha de interessante e foi em uma dessas visitas que paguei uma fortuna em uma revista da Witch. Nem preciso reforçar que reli inúmeras vezes, né? Confesso que não lembro que fim se deu todos os cadernos, adesivos, bonecas e mais coisas que meus pais me davam delas e de sapinho. Acho que fui crescendo e meus gostos mudaram um pouco e passei a não me identificar tanto, mas relembro dessa fase com muita alegria.
Agora, os 32 anos, sentada no McDonald's comendo um lanche das Huntrix, olhando para minha irmã, solto a frase: Acho que fazia tempo que eu não me apaixonava tanto por algo.
Quando o filme de K-pop Demon Hunters lançou na Netflix, eu ainda não tinha visto nenhum vídeo ou propaganda a respeito, apenas apareceu como sugestão de lançamento, salvei e no dia assisti. Me apaixonei logo na primeira cena e How It's Done se tornou minha música favorita. Logo depois veio o boom e em todos os lugares só se falava desse trio. Minha time line de todas as redes sociais só davam elas!
Um tempo depois, com lágrimas nos olhos comprei uma ecobag e um boné delas, pois pensei que adulta, dona do meu próprio dinheiro, tenho ainda mais liberdade para comprar as coisas que amo a hora que quiser. Mas não apenas isso, esse sentimento de felicidade me levou ao passado da adolescente e da criança que ainda vivem em mim. E foi sorrindo de uma orelha à outra que mostrei ao meu pai e irmã minhas compras.
Em uma das inúmeras promoções da Amazon, decidi que ira comprar meu primeiro Funko Pop e o escolhido foi a Mira, a personagem de cabelo rosa que me deixou encantada com sua personalidade forte. E essa semana, passando pela livraria, vi um livro com pôsteres do filme e fiquei loooouca para comprar, mas tive que deixar porque tinha outras prioridades no momento. Porém, ainda penso que um dia ele será meu!
Enquanto admiro os cards que vieram no meu lanche do McDonlad's, penso que eu não mudei tanto assim. Amadurecida para muitas responsabilidades na vida, mas sem deixar a menina morrer.
Acredito que algumas coisas jamais vão mudar sua essência pois são parte da nossa personalidade. A gente cresce e continua sendo um artista, um nerd, um entusiasta ou qualquer outra coisa. Algumas vezes mudamos o objeto em foco e outras vezes não, porque bem dentro de nós existe uma verdade: somos todos crianças grandes.








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