QUASE AURORA

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UMA SEMANA COMIGO


Segunda-feira
Terminei meu primeiro livro de Clarice Lispector: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Confesso que meu impacto maior não foi pela escrita fenomenal de Clarice, mas o medo de ser uma mulher burra. Não sei o motivo, mas fiquei com vontade de exercer mais meu intelecto e também refleti muito sobre tornar-me escritora em um mundo em que Clarice compartilhou suas palavras e histórias.

Meu gerente chegou para passar uma semana na nossa unidade. Ele fica na Matriz no Amazonas e nos visita a cada três meses.

Terça-feira, 
Comecei a ler Espiãs Sexuais Nazistas, um livro sobre historias da Segunda Guerra Mundial que são pouco conhecidas, com personagens como a princesa Stephanie Juliane Von Hohenlohe, uma amiga intima de Hitler que usou seu relacionamento com Lord Rothermere para tentar incentivar o Daily Mail a apoiar os nazistas; os segredos obscuros da Russian Tea Room, no sul de Kensington, em Londres; e os planos da estilista Coco Chanel de convencer Winston Churchill a terminar a guerra.

Quarta-feira
A rotina se tornou rapidamente intensa. Quando o gerente visita nossa unidade, muitas reuniões acontecem, assim como as cobranças dos eventos e campanhas que organizo. Passei esses dias sentindo minha coluna travar de ansiedade, subindo e descendo escada várias vezes para ir até a diretoria e surtei internamente com as prévias de mudanças que virão. Pelo amor de Deus, me deem uma promoção para compensar!


Quinta-feira
O CLT não pode ter um dia de paz! Amanheci passando mal devido uma torrada que comi e não bateu direito, então corri para UPA mais próxima da minha casa — me recuso a pagar a coparticipação do plano de saúde só por uma simples ida à emergência, além disso, não gasto com uber também, pois vou até à UPA de pés! — Porém, infelizmente, saí de lá sem medicação pois minha veia estourou nas três tentativas, já que elas são muito finas e eu estava mega desidratada.

Peguei um atestado, mas fiquei fazendo algumas atividades home, não seria nada trabalhoso. Aproveitei também para fazer uma página do meu scrapbook. Recentemente comprei meu primeiro Funko Pop e como não pretendia deixar na caixa, recortei para fazer essa gracinha.

Sexta-feira
A analista de RH foi desligada, o que provocou uma série de chororô no setor. Organizei uma lembrancinha para ser entregue a ela no dia seguinte, assim a poeira estaria mais baixa já que as emoções estavam à flor da pele desde terça-feira. A visita do meu gerente trouxe não apenas essa mudança, mas novas atividades para essa pessoinha aqui.

Observando a movimentação do grupo da pós-graduação, lembrei que precisava ler um livro para aula e pedi a minha irmã para correr no sebo e comprar o livro.

Sábado
Às 06h30 já estava de pé pois precisava ler o abençoado livro — o sono me venceu na noite anterior. Corri contra o tempo e em duas horas consegui ler metade do livro e foi justamente essa metade que debatemos em sala. Foi aula de laboratório e ela é minha favorita, pois exercemos nossos aprendizados ali na hora e testamos nossas habilidades de escrita. 


No final do dia, depois de fritar os neurônios, me arrumei para o meu tão esperado solo date. Fui ao shopping assistir a reexibição de Crepúsculo — obra-prima cinematográfica —, passei na livraria e comprei um livro do Kafka para minha irmã, A Metamorfose, comi um McChicken e comprei um chocolatinho da Cacau Show.

Usei meu cabelo natural, coisa extremamente rara, e recebi muitos olhares para minha juba — o que me deixou levemente insegura no começo, confesso. Faz anos que deixei de usar meu cabelo natural solto, geralmente deixo preso, e nesse dia ele estava bem armado! Mas enfim, vivendo e superando os medos diários.

Domingo
Tive o prazer de acordar às 10h, o que é um grande evento já que acordo todos os dias às 04h15, mas péssimo porque combinei com uma amiga de visitar a igreja que ela está frequentando e esqueci. Assisti dois episódios da terceira temporada de A Vida Secreta das Esposas Mórmons (no Disney+) e o episódio da semana da segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros (na Apple TV), troquei a roupa de cama, organizei meu quarto, coloquei minhas camisas do trabalho para lavar e quando menos esperava... já era hora de dormir, mas não tive uma boa noite de sono.


Quando esse tema foi eleito para o EntreBlogs de março, idealizei uma semana com muitas coisas legais acontecendo, mas a vida muitas vezes não segue nosso roteiro e tudo desanda. Honestamente, a única coisa que realmente rolou como previsto foi minha ida ao cinema.

A semana comigo foi completamente normal e tá tudo bem. Apesar dos altos e baixos, notícias ruins e mudanças que me jogaram pra fora da zona de conforto aos pontapés, não foi uma semana ruim — e isso já é algo maravilhoso!




OFF

Desde sei lá quando, mas já faz uns bons anos, duas vezes por ano tiro um período off das rede sociais. É uma forma de me desintoxicar da enxurrada de conteúdos que recebo, além de desacelerar minha mente a forçando buscar outras formas de dopamina.

Não faz muito tempo que fiz meu detox social, mas decidi que faria novamente. Ando muito inquieta com algumas coisas e percebendo que meu consumo aumentou bastante. Fora isso, notei alguns micro comportamentos vindos desse excesso e não quero que eles se tornem macros ou rotineiros. Isso geralmente acontece em fases mais duras na vida ou quando estou sob estresse constante — o que é o caso atual.

Para além disso, eu que gosto tanto de criar, comecei a me questionar se devo continuar por esse caminho nos aplicativos nas mãos. Me sinto levemente esgotada por ter que ficar pensando em estar presente quando nem estou com tempo disponível para fazer minhas leituras de forma digna! São muitas questões na minha caixola, então decidi ficar por um tempo presente só aqui.

Mas sei lá, talvez eu mude de ideia semana que vem.






RESENHA: OS ABISMOS

Com toda licença, visando matar a saudade de falar sobre livros nesse blog, trago uma singela resenha de um dos melhores livros que tive o prazer der ler em 2025. Por muitos meses ele ficou acumulando poeira na prateleira, mas quando o momento dele chegou, foi simplesmente maravilhoso.

Narrado em primeira pessoa, o cenário da história é a cidade de Cáli, na Colômbia. Sob os olhos de Cláudia, uma menina perspicaz que tenta entender o mundo dos adultos, principalmente de seus pais, vamos acompanhando a rotina da família em um apartamento tomado por plantas e precipícios sentimentais.

Presenciando uma crise familiar e sentindo os abalos no casamento dos pais, pouco a pouco a menina percebe a efemeridade da vida cotidiana. Sua mãe, é obcecada por revistas de celebridades, principalmente por figuras femininas que tiveram fins trágicos, e conforme os acontecimentos da história ocorrem, percebemos o quanto Cláudia além de observar com curiosidade e inquietação, é afetada pelo silêncio, segredos e dores que ainda não consegue nomear. Em sua pouca idade, ela observa com atenção as palavras de sua mãe a respeito dessas mulheres e começa a fazer ligações sobre a morte delas e as emoções da progenitora.



Para além de uma história "sobre infância", Pilar Quintana nos joga no abismo da tensão familiar e apresenta a solidão e dores não ditas das mulheres de diferentes gerações. No decorrer da leitura, você pode se sentir tentada a acreditar que a solidão maior será da mãe, mas na verdade, é da filha que a tudo observa em um silêncio gritante.

Os jardins, florestas e precipícios não compõe apenas o cenário da história, mas são reflexo do abismo emocional de cada um dos personagens - que por toda a leitura não os nomeiam, como se não soubessem lidar de maneira apropriada com o que estão sentindo.

A escrita da autora é leve ao ponto de fazer o leitor não sentir o tempo passar e ficar envolvido com a trama, mas de leve essa história nada tem. A tensão é construída com sutileza, sem clímax direto, nos levando a refletir sobre os impactos das relações familiares e formação de identidade.

Fechei suas páginas levemente desgraçada da cabeça, pensando a respeito das emoções que a história nos desperta e comove. Confesso que minha frustração maior foi pela pequena Cláudia, que apenas por ser criança, não era ouvida. Mas talvez seja apenas isso que a autora quis transmitir: desconforto e reflexão.


Nota pessoal: ★★★★★ + ❤

INFORMAÇÕES TÉCNICAS:
Título original: Los Abismos
Autora: Pilar Quintana
Editora: Intrínseca (essa minha edição é do clube intrínsecos)
Tradução: Elisa Menezes
Páginas: 272
Classificação: 16 anos




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