QUASE AURORA

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LINKS MARAVILHOSOS #46

Posso não estar comentando muito por aí, mas estou sempre consumindo algo. Segue a pequena lista do que achei interessante:

Vale lembrar que ao clicar em cada link uma guia se abre.

→ Livros infantis que você deveria ler hoje | Entretanto, por Michele Contel

→ Rio de Janeiro, Março de 2025 | MMP (eu amo o Rio de Janeiro e amo saber como ele parece ser por outros olhos)

→ Off Campus resgatou algo que a gente achou que tinha perdido | Imprevistos Musicais

É bom estar de volta | vlog no YouTube (e é meu, tá?! não é meu vlog favorito, mas estava com saudade de atualizar aquela plataforma com uma das coisas que mais me divirto fazer: registrar a vida na horizontal)

→ Como o Substack me ajudou a ser mais escritora | Tristezas de Estimação por Fabiane Guimarães

→ Como voltar a ler em tempos de dopamina rápida | Arquivo Vivo por C.Ella

→ O que me faz ficar aqui é a comunidade | Fala Catarina (desde que a Bru fez esse post ele está salvo nos meus rascunhos para compartilhar aqui)

→ Te indicando romances negros | no instagram da Kezi

Whoe Even Am I? | no TikTok da MTV UK (Robert Pattinson tentando adivinhar quem ele é, mas na real, todos os vídeos dos atores de A Odisseia nesse quadro são muito bons!)





FRAJOLA

Talvez, e é um grande talvez, eu tenha adotado mais um gato e agora há três felinos em minha residência. Estou nessa de dizer que é lar temporário e falei com meu pai que divulguei a adoção do gatinho frajola, mas ninguém se interessou. O problema é que comecei a me apegar no momento que ele dormiu em cima do meu ouvido e fiquei escutando sua respiração enquanto me deleitava com o quentinho do buchindo.

Mas como tudo começou?

Em detalhes, porque sou dessas. Estava trabalhando de boa quando minha amiga bateu na porta da sala e disse: "Karina, vem aqui". Imediatamente me levantei e a segui até fora da empresa e então ela soltou a bomba: "Largaram um gato aqui na frente". Chorosa que sou e muito coração mole, comecei a me desesperar ao ver um gato com no máximo dois meses completamente largado em um local cercado de fábricas, sem ter como se abrigar, se alimentar ou com pequenas possibilidades de sobrevivência.

Comecei a brigar com minha amiga dizendo que ela não deveria ter me mostrado o gato, pois a partir daquele momento eu iria querer ajudá-lo. Corri no refeitório e pedi um pouco de leite. Arrumei uma caixa e ficamos lá na calçada pensando o que fazer com os cinco centavos de gato!

Não poderia levá-lo pra casa por dois motivos: meu pai me mataria e o uber é caro devido aos 21km de distância! Quando apresentei minhas desculpas, me disseram que ninguém poderia levá-lo.

Mas como assim não tinha um ser humano de confiança entre mais de 400 colaboradores?

Pois é. Eu era/sou conhecida como a louca dos gatos (esse até foi o tema que escolheram para meu aniversário) e a pessoa de confiança. "A dona Karina vai levar o gato sim!"

Quando eu menos esperava, formou-se uma pequena reunião ao redor da caixa e os murmúrios de "Karina vai levar" cresceram. Ligações foram feitas para saber se alguém poderia me deixar em casa com o gato. "É plausível pegar o carro da empresa pra isso?" Não. Então uma insistência pela minha chave pix começou e uma vaquinha foi feita para pagar os R$50 do uber.

Me prometeram um remédio chegando em minhas mãos no dia seguinte (seria um sábado) e eu só disse tudo bem.

Cheguei em casa com o gato na caixa, preocupadíssima com a reação do meu pai, em como eu mataria todas as milhares de pulgas dele e manteria meus gatos afastados. Foi um sufoco, muitos banhos e uma dívida feita para comprar ração, shampoo e areia. Minha melhor amiga disse que queria dividir a guarda do gato e pagou vários sachês.

Eu, que estava com minha conta zerada e fazendo planos de economia para voltar a colocar minha vida nos trilhos, agora me tornava lar temporário de um felino. Um frajola que claramente deveria estar ainda mamando a cada duas horas, tão magrinho que eu sentia suas costelas ao tocar.

Resumo da ópera: ele está novinho em folha, depois de três dias vivendo preso no banheiro, já corre por todos os cômodos da casa e aprendeu o caminho do meu quarto para dormir comigo. Adora tentar chegar perto dos meus gatos – mesmo que eles não queiram saber dele e só de olhar dão um bufado. Além disso, a gente está tentando fazer uma adaptação sem forçar nada.

Um dos motivos – além do humor nada agradável do meu pai – que me fez pensar em ser apenas lar temporário, foi nenhum dos nomes que pensávamos estar combinando... Mas nessa terça-feira, enquanto jantava segurando o pinguinho no colo, pensei: ele é pequeno, enfrentou o perigo (veio de outra cidade no motor do caminhão), sobreviveu e encontrou ajuda no caminho e agora está seguro. Então seu nome será...

FRODO

Testei, deu certo e ele atende pelo nome. Fica o registro que minha irmã fez do primeiro cochilo que tiramos juntos.

O único comentário da minha irmã foi: "No momento que a gente estabeleceu tudo para economizar, você me arruma essa". E o detalhe é que sempre pedi a Deus para nunca me deixar passar por uma situação dessa, pois eu fico muito triste e provavelmente não conseguiria ajudar. Agora estamos aí... não tem jeito, vou ter que ficar com o gato.





eu escrevo para ser vista

"A melhor parte de escrever é descobrir que tem alguém do outro lado lendo". Li essa frase em uma nota da Bee no Substack. Fazia tempos que não entrava lá e nem tenho acompanhado com afinco as news que recebo por e-mail. Bateu um cansaço pela leitura, sabe?

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Tenho refletido bastante nos últimos meses sobre os motivos que me levam a criar algo, principalmente sobre escrever neste espaço. Sendo bem honesta, como sempre sou, eu escrevo para ser vista. Oculto são apenas meus diários.

Eu gosto de criar e sei que isso faz parte de mim assim como as crises que acompanham esse processo. Porém, escrever e achar que não tem ninguém para ler é algo que me incomoda. E isso parte de um sentimento: tudo bem me acharem feia, mas burra já é demais.

Sim, pode parecer algo superficial, mas dói minha alma quando penso que as pessoas podem achar minha escrita vazia e irrelevante ao ponto de pensarem que sou burra.

Mas veja bem, não quero e nem tento ser a pessoa mais inteligente. Não me comparo com grandes escritoras ou blogueiras – não me aproximo nem da sombra delas. E quando sonho, minha imaginação não me leva para o ambiente da comparação, mas ao desejo de que as pessoas no futuro falem "esse é o jeito Karina de escrever/ a Karina tem uma característica que é só dela"

São muitos anos escrevendo, mas não tenho ~ainda~ a confiança de que já me encontrei nesse ponto. Só espero que estas palavras sejam suficientemente boas.

Minhas reflexões me levaram para esse lugar porque bisbilhotei tudo que escrevi ao longo desses 10 anos e, sei lá por qual motivo, analisei as visualizações dos posts dos primeiros anos. Quando algo não desempenhava bem, eu ficava ali entre 300-800 leituras por posts. Hoje em dia... 

Parte de mim quer sentir vergonha, mas a outra parte me traz a clareza de que os tempos são outros e as pessoas não leem mais como antigamente, ainda mais se tratando de blogs. Infelizmente há um pensamento de que eles morreram – e sempre que navego pela world wide web, deixo minha manifestação nos comentários de que isso é mentira. Eu ainda estou aqui, assim como meus colegas do entreblogs e muitos outros blogueiros que ainda não conheço.

E independente do que acham ou deixam de achar sobre blogs, faço ser necessário que minha régua do passado não seja a mesma de agora, pois, assim como os leitores passaram por mudanças, adaptações e amadurecimentos que já não conversam mais com o passado, eu também.

Enfimmmm...

Antes de escrever aqui, saibam que maturei por muito tempo. Sou uma criatura melancólica, então tenho esse jeito de passar semanas, meses e até mesmo um ano inteiro processando algo antes de vir escrever/desabafar sobre. Às vezes acontece de vomitar as palavras quando elas mal chegaram ao estômago? Sim, mas é raro. 

Encontrei a paz sobre tudo isso e chego à conclusão de que construir uma comunidade é muito mais legal. Além disso, ainda que sejam poucas, tem gente que gosta do Quase Aurora e se não fosse esse o caso, nem visitas eu receberia, correto? 

E como falei para uma das minhas melhores amigas, o blog é meu maior e mais antigo portfólio. Isso daqui nasceu de um hobby, se tornou uma escola de escrita e criatividade pessoal, mas também já me garantiu uma vaga de emprego! E atualmente é meu relacionamento mais antigo, meu xodó. Posso abrir mão do Instagram, mas não abro mão daqui de forma alguma.

Agora que já estou navegando por mares tranquilos e contemplo a terra firme, posso dizer que estou serena com o ato de voltar a escrever sem me prender em paranoias descabidas. O que mais importa é que tem gente aí do outro que talvez não me ache burra kkkk.

No fim, acho que preciso seguir o conselho de uma das personagens da Ali Hazelwood em A Hipótese do Amor: "Tenha a mesma confiança que um homem branco medíocre".





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