"A melhor parte de escrever é descobrir que tem alguém do outro lado lendo". Li essa frase em uma nota da Bee no Substack. Fazia tempos que não entrava lá e nem tenho acompanhado com afinco as news que recebo por e-mail. Bateu um cansaço pela leitura, sabe?
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Tenho refletido bastante nos últimos meses sobre os motivos que me levam a criar algo, principalmente sobre escrever neste espaço. Sendo bem honesta, como sempre sou, eu escrevo pra ser vista. Oculto são apenas meus diários.
Eu gosto de criar e sei que isso faz parte de mim assim como as crises que acompanham esse processo. Porém, escrever e achar que não tem ninguém para ler é algo que me incomoda. E isso parte de um sentimento: tudo bem me acharem feia, mas burra já é demais.
Sim, pode parecer algo superficial, mas dói minha alma quando penso que as pessoas podem achar minha escrita vazia e irrelevante ao ponto de pensarem que sou burra.
Mas veja bem, não quero e nem tento ser a pessoa mais inteligente. Não me comparo com grandes escritoras ou blogueiras – não me aproximo nem da sombra delas. E quando sonho, minha imaginação não me leva para o ambiente da comparação, mas ao desejo de que as pessoas no futuro falem "esse é o jeito Karina de escrever/ a Karina tem uma característica que é só dela".
São muitos anos escrevendo, mas não tenho ~ainda~ a confiança de que já me encontrei nesse ponto. Só espero que estas palavras sejam suficientemente boas.
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Minhas reflexões me levaram para esse lugar porque bisbilhotei tudo que escrevi ao longo desses 10 anos e, sei lá por qual motivo, analisei as visualizações dos posts dos primeiros anos. Quando algo não desempenhava bem, eu ficava ali entre 300-800 leituras por posts. Hoje em dia...
Parte de mim quer sentir vergonha, mas a outra parte me traz a clareza de que os tempos são outros e as pessoas não leem mais como antigamente, ainda mais se tratando de blogs. Infelizmente há um pensamento de que eles morreram – e sempre que navego pela world wide web, deixo minha manifestação nos comentários de que isso é mentira. Eu ainda estou aqui, assim como meus colegas do entreblogs e muitos outros blogueiros que ainda não conheço.
E independente do que acham ou deixam de achar sobre blogs, faço ser necessário que minha régua do passado não seja a mesma de agora, pois, assim como os leitores passaram por mudanças, adaptações e amadurecimentos que já não conversam mais com o passado, eu também.
Enfimmmm...
Antes de escrever aqui, saibam que maturei por muito tempo. Sou uma criatura melancólica, então tenho esse jeito de passar semanas, meses e até mesmo um ano inteiro processando algo antes de vir escrever/desabafar sobre. Às vezes acontece de vomitar as palavras quando elas mal chegaram ao estômago? Sim, mas é raro.
Encontrei a paz sobre tudo isso e chego à conclusão de que construir uma comunidade é muito mais legal. Além disso, ainda que sejam poucas, tem gente que gosta do Quase Aurora e se não fosse esse o caso, nem visitas eu receberia, correto?
E como falei para uma das minhas melhores amigas, o blog é meu maior e mais antigo portfólio. Isso daqui nasceu de um hobby, se tornou uma escola de escrita e criatividade pessoal, mas também já me garantiu uma vaga de emprego! E atualmente é meu relacionamento mais antigo, meu xodó. Posso abrir mão do Instagram, mas não abro mão daqui de forma alguma.
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Agora que já estou navegando por mares tranquilos e contemplo a terra firme, posso dizer que estou serena com o ato de voltar a escrever sem me prender em paranoias descabidas. O que mais importa é que tem gente aí do outro que talvez não me ache burra kkkk.
No fim, acho que preciso seguir o conselho de uma das personagens da Ali Hazelwood em A Hipótese do Amor: "Tenha a mesma confiança que um homem branco medíocre".

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