QUASE AURORA

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OFF

Desde sei lá quando, mas já faz uns bons anos, duas vezes por ano tiro um período off das rede sociais. É uma forma de me desintoxicar da enxurrada de conteúdos que recebo, além de desacelerar minha mente a forçando buscar outras formas de dopamina.

Não faz muito tempo que fiz meu detox social, mas decidi que faria novamente. Ando muito inquieta com algumas coisas e percebendo que meu consumo aumentou bastante. Fora isso, notei alguns micro comportamentos vindos desse excesso e não quero que eles se tornem macros ou rotineiros. Isso geralmente acontece em fases mais duras na vida ou quando estou sob estresse constante — o que é o caso atual.

Para além disso, eu que gosto tanto de criar, comecei a me questionar se devo continuar por esse caminho nos aplicativos nas mãos. Me sinto levemente esgotada por ter que ficar pensando em estar presente quando nem estou com tempo disponível para fazer minhas leituras de forma digna! São muitas questões na minha caixola, então decidi ficar por um tempo presente só aqui.

Mas sei lá, talvez eu mude de ideia semana que vem.






RESENHA: OS ABISMOS

Com toda licença, visando matar a saudade de falar sobre livros nesse blog, trago uma singela resenha de um dos melhores livros que tive o prazer der ler em 2025. Por muitos meses ele ficou acumulando poeira na prateleira, mas quando o momento dele chegou, foi simplesmente maravilhoso.

Narrado em primeira pessoa, o cenário da história é a cidade de Cáli, na Colômbia. Sob os olhos de Cláudia, uma menina perspicaz que tenta entender o mundo dos adultos, principalmente de seus pais, vamos acompanhando a rotina da família em um apartamento tomado por plantas e precipícios sentimentais.

Presenciando uma crise familiar e sentindo os abalos no casamento dos pais, pouco a pouco a menina percebe a efemeridade da vida cotidiana. Sua mãe, é obcecada por revistas de celebridades, principalmente por figuras femininas que tiveram fins trágicos, e conforme os acontecimentos da história ocorrem, percebemos o quanto Cláudia além de observar com curiosidade e inquietação, é afetada pelo silêncio, segredos e dores que ainda não consegue nomear. Em sua pouca idade, ela observa com atenção as palavras de sua mãe a respeito dessas mulheres e começa a fazer ligações sobre a morte delas e as emoções da progenitora.



Para além de uma história "sobre infância", Pilar Quintana nos joga no abismo da tensão familiar e apresenta a solidão e dores não ditas das mulheres de diferentes gerações. No decorrer da leitura, você pode se sentir tentada a acreditar que a solidão maior será da mãe, mas na verdade, é da filha que a tudo observa em um silêncio gritante.

Os jardins, florestas e precipícios não compõe apenas o cenário da história, mas são reflexo do abismo emocional de cada um dos personagens - que por toda a leitura não os nomeiam, como se não soubessem lidar de maneira apropriada com o que estão sentindo.

A escrita da autora é leve ao ponto de fazer o leitor não sentir o tempo passar e ficar envolvido com a trama, mas de leve essa história nada tem. A tensão é construída com sutileza, sem clímax direto, nos levando a refletir sobre os impactos das relações familiares e formação de identidade.

Fechei suas páginas levemente desgraçada da cabeça, pensando a respeito das emoções que a história nos desperta e comove. Confesso que minha frustração maior foi pela pequena Cláudia, que apenas por ser criança, não era ouvida. Mas talvez seja apenas isso que a autora quis transmitir: desconforto e reflexão.


Nota pessoal: ★★★★★ + ❤

INFORMAÇÕES TÉCNICAS:
Título original: Los Abismos
Autora: Pilar Quintana
Editora: Intrínseca (essa minha edição é do clube intrínsecos)
Tradução: Elisa Menezes
Páginas: 272
Classificação: 16 anos




PRECISO DE PAUSA

Não sei se são os hormônios, se é aquela fase em que a saudade da minha mãe aperta e resta só o vazio, ou se é a rotina clt que tem me roubado a qualidade de vida pouco a pouco. Só sei que preciso de uma pausa. De tudo, de todos, de mim. Mas como fazer essa pausa?

As vezes eu queria sumir, mas não o sumir de morrer. O sumir de ficar escondidinha no meu casulo, só eu e minha mente inquieta que tenta constantemente se entender.

Mas a gente, adulto, precisa trabalhar, precisa continuar sem muito tempo para chorar. E hoje eu chorei. Por cinco minutinhos, mas chorei. Me olhei no espelho e disse: agora já deu, mais um pouco e você fica com uma dor de cabeça pior do que ressaca. amanhã é sexta-feira. 

Chorei sem saber qual o real motivo das lágrimas. Chorei porque preciso de pausa, mas não estou podendo pausar. 





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