Ontem, sábado (22), não houve post para o BEDA. Infelizmente eu esqueci e quando lembrei, estava cansada demais. Me permiti continuar esticada no sofá, com o Frodo deitado no meu colo em sono profundo enquanto eu maratonava uma minissérie na Netflix.
Na sexta-feira (21), cheguei atrasada no trabalho porque um ônibus quebrou na frente do meu e atrapalhou tudo me fazendo perder o segundo ônibus. Era dia do treinamento de liderança que acontece todos os meses e meu chefe estava na cidade para aplicá-lo. Uma dor de cabeça absurda tomava conta de mim, então me sentia meio letárgica durante todo o tempo.
Após o final do treinamento, fui chamada pelo chefe para aquela conversa, mas eu disse a ele que já esperava, e por conta disso, meu psicológico estava totalmente preparado para o desligamento.
Confesso a vocês que fui para o trabalho pensando: se eu for mandada embora, nunca mais vou gastar duas horas para ir e vir.
E esse pensamento já era constante. A gente que trabalha dentro do RH, percebe com muito mais facilidade quando o comportamento de alguém muda com a gente porque uma demissão virá. Passei agosto todo pensando que minhas férias não estavam entrando no portal porque eu seria desligada da empresa e na semana anterior a esta, comecei a levar pra casa as poucas coisas que eu deixava na empresa.
Eu pressentia há semanas!
Apesar de gostar do meu trabalho, meu corpo estava exausto da rotina de trajeto. Além disso, eu exercia uma atividade que não me desafiava em nada e eu não me via crescendo ali. Dentro de um ano, nunca conversaram comigo sobre plano de carreira e também não era dado abertura para tal coisa. Então, eu sabia que, fosse por conta própria ou por conta da empresa, não ficaria ali por mais de dois anos.
A demissão veio em um momento familiar complicado e acho que, na maioria das vezes, o cenário nunca é o ideal, mas tudo bem. Não me desesperei em momento algum nesses últimos dois dias e até minha irmã disse que pareço tranquila demais para quem está desempregada. Porém, vou me descabelar pra quê?! Vou dar entrada no seguro desemprego e orar para arrumar algo melhor em até três meses, enquanto isso, quero focar na escrita do meu livros, dormir bastante, investir no meu bem-estar e finalmente terminar os cursos que comecei para aprimorar meu currículo.
Em 2024, quando fiquei desempregada, saí com uma mão na frente e outra atrás. Além disso, estava passando por uma baita crise de ansiedade e depressão, longe de casa e da minha família, e sofria intensivamente com a falta de mãe – o luto me pegou muito mais forte naquele ano. Agora, o cenário é outro. Minha mente está mais tranquila, mais madura e acredito que Deus também foi acalmando meu coração para esse dia.
Acredito fortemente que essa porta se fechou porque há algo melhor reservado para mim.
E como estava mega cansada, meu sábado foi destinado ao "dever de casa" da pós-graduação: procurar algum lançamento de livro na cidade, ir e observar como funciona. Achei um pertinho de casa, às 10h da manhã — "As Trapalhices do Rei Ramiro" de Maria Valéria Rezende.
Foi interessante, principalmente porque haviam apenas avós no lançamento! O livro é infantil e tinham apenas três crianças. Fiquei refletindo sobre esse fato porque a autora falou muito sobre a ideia de recuperar as palavras e contação de histórias para a geração mais nova. Inclusive, ela deu uma dica bem legal sobre literatura que anotei e levarei para o meu livro.
Quando voltei pra casa, preparei o almoço para minha irmã ir trabalhar e fiquei largada no sofá, rolando a for you do TikTok por umas boas horas até decidir assistir TV. Escolhi uma minissérie da Netflix que já tinha deixado o aviso de lançamento salvo: Minha Carreira Brilhante.
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| imagem divulgação Neftlix |
Ambientada na zona rural da Austrália no começo do século XX, a história é baseada no romance de Miles Franklin, escrito em 1901. Fato curioso: ele já foi adaptado para o cinema 50 anos atrás.
A minissérie conta a história de Sybylla, uma jovem inteligente, inquieta, determinada e cheia de ideias, que vive tranquilamente no campo, até que sua vida muda quando a avó, Winifred Bossier, a convida para passar um tempo em sua propriedade em Caddagat e apresentá-la a sociedade. O convite, é claro, tem uma condição: casar Sybylla. Mesmo contrariada, ela não tem escolha a não ser aceitar.
Enquanto a família luta para moldar a personalidade de Sybylla para se tornar a esposa perfeita, ela quer ser livre e ser escritora, então começa, secretamente, a escrever seu romance. Mas as coisas mudam quando o amor surge no caminho e ela precisa escolher entre a possibilidade de seguir seus sonhos ou uma vida segura e previsível.
A série tem seis episódios que caminham num ritmo ótimo, mas confesso que fiquei com medo de estragarem o final, pois geralmente os roteiristas sempre dão dois finais para mulheres de personalidade forte: casamento ou morte. Como eu ainda não fazia ideia que era uma adaptação, não conhecia o final da história e todos os meus receios foram em vão, pois o final é simplesmente perfeito!
Por se tratar de uma história vivida e ambientada no século XX, é interessante observar como as feministas da época viviam e quais eram seus desafios com as convenções de seu tempo. Cinco estrelas para a série e fica minha recomendação para vocês.
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