Talvez, e é um grande talvez, eu tenha adotado mais um gato e agora há três felinos em minha residência. Estou nessa de dizer que é lar temporário e falei com meu pai que divulguei a adoção do gatinho frajola, mas ninguém se interessou. O problema é que comecei a me apegar no momento que ele dormiu em cima do meu ouvido e fiquei escutando sua respiração enquanto me deleitava com o quentinho do buchindo.
Mas como tudo começou?
Em detalhes, porque sou dessas. Estava trabalhando de boa quando minha amiga bateu na porta da sala e disse: "Karina, vem aqui". Imediatamente me levantei e a segui até fora da empresa e então ela soltou a bomba: "Largaram um gato aqui na frente". Chorosa que sou e muito coração mole, comecei a me desesperar ao ver um gato com no máximo dois meses completamente largado em um local cercado de fábricas, sem ter como se abrigar, se alimentar ou com pequenas possibilidades de sobrevivência.
Comecei a brigar com minha amiga dizendo que ela não deveria ter me mostrado o gato, pois a partir daquele momento eu iria querer ajudá-lo. Corri no refeitório e pedi um pouco de leite. Arrumei uma caixa e ficamos lá na calçada pensando o que fazer com os cinco centavos de gato!
Não poderia levá-lo pra casa por dois motivos: meu pai me mataria e o uber é caro devido aos 21km de distância! Quando apresentei minhas desculpas, me disseram que ninguém poderia levá-lo.
Mas como assim não tinha um ser humano de confiança entre mais de 400 colaboradores?
Pois é. Eu era/sou conhecida como a louca dos gatos (esse até foi o tema que escolheram para meu aniversário) e a pessoa de confiança. "A dona Karina vai levar o gato sim!"
Quando eu menos esperava, formou-se uma pequena reunião ao redor da caixa e os murmúrios de "Karina vai levar" cresceram. Ligações foram feitas para saber se alguém poderia me deixar em casa com o gato. "É plausível pegar o carro da empresa pra isso?" Não. Então uma insistência pela minha chave pix começou e uma vaquinha foi feita para pagar os R$50 do uber.
Me prometeram um remédio chegando em minhas mãos no dia seguinte (seria um sábado) e eu só disse tudo bem.Cheguei em casa com o gato na caixa, preocupadíssima com a reação do meu pai, em como eu mataria todas as milhares de pulgas dele e manteria meus gatos afastados. Foi um sufoco, muitos banhos e uma dívida feita para comprar ração, shampoo e areia. Minha melhor amiga disse que queria dividir a guarda do gato e pagou vários sachês.
Eu, que estava com minha conta zerada e fazendo planos de economia para voltar a colocar minha vida nos trilhos, agora me tornava lar temporário de um felino. Um frajola que claramente deveria estar ainda mamando a cada duas horas, tão magrinho que eu sentia suas costelas ao tocar.
Resumo da ópera: ele está novinho em folha, depois de três dias vivendo preso no banheiro, já corre por todos os cômodos da casa e aprendeu o caminho do meu quarto para dormir comigo. Adora tentar chegar perto dos meus gatos – mesmo que eles não queiram saber dele e só de olhar dão um bufado. Além disso, a gente está tentando fazer uma adaptação sem forçar nada.
Um dos motivos – além do humor nada agradável do meu pai – que me fez pensar em ser apenas lar temporário, foi nenhum dos nomes que pensávamos estar combinando... Mas nessa terça-feira, enquanto jantava segurando o pinguinho no colo, pensei: ele é pequeno, enfrentou o perigo (veio de outra cidade no motor do caminhão), sobreviveu e encontrou ajuda no caminho e agora está seguro. Então seu nome será...
FRODO
Testei, deu certo e ele atende pelo nome. Fica o registro que minha irmã fez do primeiro cochilo que tiramos juntos.
O único comentário da minha irmã foi: "No momento que a gente estabeleceu tudo para economizar, você me arruma essa". E o detalhe é que sempre pedi a Deus para nunca me deixar passar por uma situação dessa, pois eu fico muito triste e provavelmente não conseguiria ajudar. Agora estamos aí... não tem jeito, vou ter que ficar com o gato.
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