QUASE AURORA

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O SER NA ÁRVORE

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A floresta havia se tornado sua casa. Todas as manhãs, quando ouvia a porta da frente bater, ele corria para lá. Entre o balançar das árvores e o correr das raposas que caçava, cantava um música que a mãe havia lhe ensinado antes de falecer. 

Na hora do almoço, sentava-se diante de uma árvore e compartilhava a comida que levava com o pequeno homem que dizia ser o mago da floresta. Ele tinha pelos espalhados por todo corpo, seus olhos eram completamente negros e havia dentes demais em sua boca. O garoto não tinha medo. Lhe contava seus sonhos, medos e segredos.

O homem havia chegado mais cedo em casa. Não escutou os típicos barulhos que a criança costumava fazer. Correu para floresta, pois sabia que para lá o garoto fugia. Em pouco tempo, o encontrou dormindo nas raízes de uma grande árvore. A cena lhe lembrou da morte da esposa. Ele a encontrou encolhida na cama, gelada e sem brilho nos olhos.

Revoltado, a passos duros caminhou em direção ao filho para acordá-lo, mas do alto de sua árvore, observando a cena com atenção, a criatura com seus mil dentes sorria. Esticou uma das mãos em direção ao homem e na floresta tudo se calou. Ao acordar, o menino voltou para casa sem nada perceber. A partir daquele dia, não havia mais motivos para da casa fugir.

Os textos fazem parte de um exercício da disciplina de Laboratório da pós em Escrita Criativa. Nossa missão era escrever dois textos sobre um ser em cima de uma árvore, um deles com leveza e outro com peso. Penso em desenvolver mais essa história, imagino muitos detalhes, será que devo?

| Esse post faz parte da série de publicações do BEDA. Post todos os dias às 8h da manhã 😉





NA MINHA BOLSA DO TRABALHO

Amo saber o que as pessoas carregam em suas bolsas porque acho que é uma das muitas formas de conhecer o mundo de alguém e como por aqui estou sempre soltando fragmentos sobre mim, compartilho como é minha bolsa do trabalho.

Eu usava uma mochilinha para ir trabalhar, mas a coitada pediu arrego depois do peso que suportou na Bienal do Livro, então comprei uma bolsa transversal simples, mas com material mais resistente – que é essa aí. Ela tinha mais bottons, mas eles foram caindo na muvuca do ônibus e em outros contextos que não percebi.

Gosto dela por ter vários bolsos e ser um tom de verde que puxa um pouco para o azul, então combina com o uniforme da empresa. Os bottons são apenas para tirar um pouco o ar de sem graça, mas confesso que só esses três não está me agradando... Enfim, minhas personalidades representadas: Taylor Swift, Darth Vader e uma xícara de café motivacional.

Dentro tem uma nécessaire composta basicamente de remédios, já que eu deixo uma no trabalho com itens de higiene. Levo também: carteira, cartão de passagem, crachá, prendedores de cabelo, fone de ouvido (ganhei esse recentemente e vou parar de roubar o da minha irmã), carregador, uma touca para caso eu pegue uber moto, chiclete (de vez em quando), algo para comer (quando não é biscoito, é fruta ou algum potinho de bolo), e claro, sempre tem um livro! 

O guarda-chuva não encontrei e isso tá me deixando preocupada porque perdi um dentro do ônibus na semana passada – e estamos na época de chuva, ou seja, preciso encontrá-lo! E a garrafa de água, apesar de caber na bolsa (muito apertada porque é enorme), carrego na mão.

Já tive uma fase de carregar milhares de coisas na bolsa apenas por vai que, né? – um lema de vida que tenho para ser prevenida, mas após quase um ano nessa rotina, apenas isso me atende muito bem.

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a versão de mim que atravessou o oceano - parte II

Chegamos na parte II da história do meu intercâmbio! Depois das duas semanas iniciais conhecendo um pouco a cidade, me recuperando da febre e gripe, ter quebrado o óculos e pesquisa sobre qual escola estudar, finalmente entramos na sala de aula!

→ a versão de mim que atravessou o oceano

Como não farei parte III, esse post está realmente gigante

Fui matriculada na East Sussex College Eastbourne por ser a mais próxima de casa, apenas 10 minutos de caminhada. Era um campus grande com diversos alunos, mas poucas turmas internacionais. Nós ficávamos em um prédio diferente dos alunos de graduação e técnico, era mais aconchegante.

Antes de iniciar a primeira aula, fiz um teste de nivelamento escrevendo uma redação e passando por uma entrevista com uma das coordenadoras/professora. Respondi tudo de maneira bem tímida e devagar, falando sobre minha formação, família e hobbies. Ao final, ela me perguntou em qual nível achava que estava e respondi básico, mas ela disse que não, eu era nível intermediário.

Isso me deixou com um baita frio na barriga, pensei que ela poderia ter errado ou que eu não fosse capaz de acompanhar as aulas e o nível da turma. Confesso que tive sim um pouco de dificuldade, mas foi ótimo para sair da zona de conforto.

Minha turma era composta por dois espanhóis, duas francesas, uma sul coreana, um taiwanês e três japonesas. Eu era a única brasileira, com um estilo de vida que destoava e muito do resto, então as aulas sobre cultura e hábitos de rotina eram sempre mais divertidas porque eu deixava todo mundo de boca aberta com nosso jeitinho brasileiro. Além disso, eu era a única entre eles que estava em um ambiente familiar e que vivia a rotina de um local, sabendo disso, a professora me fazia muitas perguntas.

Da escola não tenho registros, mas foram as quatro semanas mais incríveis da minha vida! Me aproximei bastante das japonesas e queria ter mantido contato com elas depois, eram amorosas e muito gentis, além de pacientes com meu nível de inglês. A gente sempre dava um jeito de se comunicar!

Fato engraçado: enquanto minha tia conversava com a coordenadora, eu preenchia meu formulário de inscrição e por não entender algo, acabei marcando que eu tinha antecedentes criminais! Após uns três dias de aula, a coordenadora me chamou para explicar e enquanto eu morria de vergonha, ela morria de rir e disse "eu sabia que tinha sido um engano". Por pouco minha matrícula não seria cancelada...

Em um final de semana, fizemos uma rápida viagem para uma cidade que agora não lembro o nome. Nós fomos para o aniversário de 45 anos de uma amiga dos meus tios e não foi um aniversário qualquer. Foi um aniversário beneficente com tema The Great Gatsby e mais de 200 convidados! Além de pagar pelo convite, havia jogos e leilões com prêmios que me deixaram encantada: passeio de balão na Escócia, um kit de golfe profissional, hospedagem em chalé etc.

Tudo muito chique e nesse dia agradeci a Karina do passado por ter colocado um salto alto na mala só por motivos de vai que, né?. Fui no centro rodar pelos brechós procurando um vestido meio anos 20 e achei! Tenho guardado até hoje e acho a coisa mais linda, mas no geral, meu look foi bem simples. 





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