QUASE AURORA : escrevo sobre coisas tristes

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escrevo sobre coisas tristes


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No final de semana que passou, tivemos nosso retorno da aula de Laboratório. Aos que estão perdidos nesse rolê, eu faço pós-graduação em Escrita Criativa e nessa "disciplina" nós praticamos a escrita, além de apresentarmos nossos livros. Nas férias, o professor deixou uma simples atividade: escrever um conto de até três páginas sobre um personagem do nosso livro ou algo ambientado nesse universo.

Depois de muito pensar, porque estou levemente travada na história, resolvi que voltaria dez anos no tempo para contar os bastidores do "trauma" de Pedro, um garotinho que aparecerá para tirar o juízo da minha personagem principal. O papel dele não é grande, mas também não é pequeno, pois Pedro é um garoto curioso e fica muito intrigado com a chegada de sua nova vizinha.

Meu objetivo foi contar a história de seu passado porque preciso explicar – no livro – os motivos dele ser da forma que é e viver do jeito que vive, mas não quero abordar isso com profundidade. Expliquei em sala por qual razão fiz o conto, recebi feedback de uma colega que é advogada e pontuou a questão jurídica do caso e recebi uma dica valiosíssima do meu professor para não esquentar tanto a cabeça com o assunto – já que Pedro não é o personagem central.

Dei esse rodeio todo porque quero deixá-los curiosos sobre meu livro.

Enfimmm... No meio da minha explicação, disse que estava com um pouco de dúvida sobre esse passado porque o livro já tem um peso dramático e uma tristeza muito grande. Não quero transformá-lo em um melodrama, mas eu só sei escrever sobre tristeza. Fico me perguntando: CADÊ A FELICIDADE? Mas ela simplesmente não vem.

O professor até pontuou que essa pode ser uma das minhas características, então nesses dois dias tenho refletido sobre o quanto escrevo a respeito de coisas tristes.

Talvez isso venha do fato de que a melancolia é muito mais confortável para mim do que a felicidade. É difícil me expressar em contentamento e muito mais fácil na tristeza, além disso, tenho essa personalidade de ser mais introspectiva, silenciosa e reflexiva. Passar muito tempo na minha cabeça me preparando constantemente para o pior tem esse efeito. 

Sempre fui assim, mas após o falecimento de minha mãe, tudo se intensificou. Já gostava dos textos que me faziam chorar e refletir, hoje em dia, os amo e me identifico com mais facilidade. Até posso contar e viver coisas alegres, mas meu estado "natural" é mais quieto, abatido até... E, honestamente, isso não combina nadica de nada com minha religião. Não que devemos ser sempre felizes, pois, no mundo tereis aflição, mas é que esqueço com frequência do tende bom ânimo e da alegria que encontramos em Deus.

E também não é que eu viva sempre triste, é só que consigo enxergar beleza nos sentimentos feios e entristecidos. É confortável falar do desagradável, das feridas, dos traumas – na mesma proporção em que falo de coisas boas e contentes!

Pedro terá esse passado doloroso assim como minha protagonista. O truque que devo utilizar é não pesar a mão demais, pois o final – que está parcialmente escrito – tem o respiro que a personagem que ainda não terá seu nome revelado, eu e o leitor precisamos e desejamos. Apesar da história começar com lágrimas, ela termina com esperança, afinal, é o que nós seres humanos precisamos todos os dias: esperança para continuar e viver!

Observei que na balança tristeza-felicidade, meus textos pendem mais para a palavra à esquerda. E tá tudo bem, sabe? No fim, eu escrevo sobre coisas tristes, mas de um jeito bonito! Isso não significa que todas minhas histórias serão dessa forma.

Mal vejo a hora de contar para vocês mais detalhes sobre meu livro.

★

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6 comentários:

  1. Já ouvi falar muito que escrever sobre coisas tristes é muito mais fácil do que escrever sobre a felicidade. Inclusive, já vi alguns dos compositores de bandas que eu gosto falando sobre isso e de certa forma me acalentou. Achei interessante você comentar sobre sua religião, pois também me sinto meio culpada por ter também essa tendência mais "triste" e acabar esquecendo do "tende bom ânimo"... Ótima reflexão e estou curiosa pra saber mais sobre seu livro!! 😍

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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    1. é interessante como, apesar de desconfortável sentir a tristeza, é mais fácil falar sobre ela para algumas pessoas. talvez eu também goste de músicas mais tristes por causa disso! kkk
      em breve soltarei mais spoilers do livro.
      e muito obrigada pela visita, Valéria! beijo enorme ❤

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  2. Essa troca com outras pessoas é preciosa demais, né?! ✨
    E tem beleza demais na melancolia, ansiosa pra ler seus livros!

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    1. muito! ❤
      ai, obrigada. eu fico muito feliz sempre que falo dele e alguém comenta que quer ler!!

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  3. Olha eu aqui de novo hihihi

    Li esse texto hoje um pouco depois que li o outro, fiquei refletindo um pouco sobre ele. Eu também, até certo tempo, amava escrever sobre coisas tristes. Inclusive, ainda hoje, adoro escrever um drama, uma tragédia. E isso também foi um ponto de reflexão para mim. A resposta que eu cheguei e, de certo modo, ainda concordo com ela, é: algumas palavras simplesmente não encaixam em contextos felizes. Sou uma pessoa que naturalmente tem conexão com palavras específicas e já me peguei querendo utilizar elas e que alguns contextos elas não cabem, nem que se esforce muito.

    Por isso eu entendo que cada gênero textual apela para algumas palavras específicas e essa afinidade com elas é que nos leva a ir para caminho X ou Y. Existe também a afinidade com gênero textual, óbvio, impossível não deixar de levar isso em conta. Também a forma como abordamos o universo em nossos enredos. Acho que isso é o que mais reflete no que optamos por escrever ou não.

    Por muito tempo, também, texto foi uma válvula de escape e uma forma de interpretar o mundo para mim, por isso que muitos sentimentos acabavam sendo tristes. Ainda assim, existia algum conforto na tristeza (o tal do hurt/comfort, sabe?).

    Enfim, Karina querida, obrigada por mais uma reflexão sobre escrita! Adorando muito essa jornada, eu mesmo me coloco a aprender com suas palavras!

    💖🐇

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    1. aaaa que maravilha é, não apenas receber sua visita, mas ganhar um comentário como esse! sempre tem um ponto que também me deixa reflexiva. gostei do que você disse sobre algumas palavras não se encaixarem em contextos felizes, faz MUITO sentido!!!
      no meu caso, antes de escrever consigo visualizar cenários na minha mente e muitos deles são em situações e locais mais melancólicos. acho que isso acaba influenciando bastante na minha escrita.
      obrigada pela visita mais uma vez ❤

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