QUASE AURORA : Por que a escrita ocupa um lugar tão importante?

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Por que a escrita ocupa um lugar tão importante?

Tenho algumas memórias da minha infância que chegam como fragmentos. Uma das mais antigas é de quando ganhei um diário rosa pink da Hello Kitty aos 6 anos. Ele tinha uma espécie de box/capa em que o caderno ficava guardado e era trancado com um cadeado prata com uma chave de coração. As folhas eram cinzas e tinham um aspecto meio puído. Ao passar a borracha, porque eu escrevia nele com lápis, precisava ser delicada para as folhas não rasgarem.

Foi ali, com aquele simples presente, que descobri o poder da escrita. Já falei algumas vezes aqui sobre esse diário, quando tudo começou na minha vida, mas sendo hobbies o tema do mês para a postagem coletiva do Entreblogs, e eu, uma colecionadora de passatempos, pensei que seria interessante falar do mais antigo e especial.

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Lembro da felicidade ao ganhar o diário e até me recordo de estar vestindo uma blusa branca. Ao escrever tal memória, evoco a casa em que morávamos no Rio de Janeiro, os meus cabelos dourados e encaracolados, o cheiro que o diário tinha, como se fosse uma daquelas canetas brilhosas de gel. Pulei de alegria, agradeci pelo presente que tinha vindo das mãos de um amigo do meu pai, recém chegado dos Estados Unidos.

Mas confesso que não consigo relembrar o que ficava guardado lá, nem que fim teve. A sensação é quase palpável nesse presente, na Karina de agora, mas o conteúdo evaporou e talvez seja melhor assim. Meus segredos são secretos até para mim.

Anos foram passando e diários foram sendo comprados. Um, na pré-adolescência, aberto por minha mãe. Justamente na página em que no auge da raiva e rebeldia, tinha escrito que a odiava. Um caos se criou e mesmo prometendo que nunca mais teria diários, tive sim. E ainda os tenho, mesmo agora aos 32 anos.

Escrever tem esse poder de desafogar o que minha mente ainda não compreendeu. É mais do que um mero hobbie para lidar com as ansiedades cotidianas, é uma forma de sobrevivência, de não morrer sufocada com tudo que fica entalado no meu peito. É também meu jeitinho de criar histórias que ainda não foram contadas e registrar as memórias que quero manter – e até imagino minhas netas lendo no futuro dizendo: "Como assim a  vovó era desse jeito? Olha só esse segredo!".

Não sei me expressar de maneira melhor do que na escrita. 

Nela, trago luz aos sentimentos mais obscuros e me corrijo a voltar para os trilhos. Traço planos, crio metas, desabafo as chateações do trabalho, projeto a vida futura, esboço meus livros, traduzo orações, tiro tudo de mim como se estivesse espremendo um limão. Aperto a caneta entre os dedos como se o mundo fosse acabar no segundo seguinte e eu não tenho mais tempo, preciso registrar aquela palavra!

Mas também me perco e permito me perder sem culpa. Fico ausente, dias sem preencher as páginas em branco enquanto compro novos cadernos pensando no dia em que o atual não comportar mais minhas inquietudes, meus muitos eu. 

A escrita é a coisa mais importante na minha vida porque foi ela que me despertou para um novo horizonte, me mostrou o poder das palavras e uma espécie diferente de liberdade. Então eu sigo escrevendo firme e forte. Não sei se tão forte, mas firme. Não sei se tão firme também – kkkk eu precisava acrescentar isso! sorry.

Apenas sei que escrevo porque se tudo me escorrer pelos dedos como areia, me sobram as palavras.





11 comentários:

  1. Nossa, me vi inteirinha nesse post. Eu lembro MUITO de ganhar meu primeiro diário também, desses que trancam com a chave de coração. Morro de vontade de encontrar e ver o que eu escrevia na época, mas também não sei que fim teve o meu. Também tive a fase revoltada e escrevi em um deles que eu odiava meus pais e minha irmã, coisas da adolescência né? kkk. Sigo escrevendo também, e penso muito nas minhas futuras gerações lendo as coisas que eu escrevi, e torço pra que tenha alguém que valorize isso como eu valorizo, queria muito ter diários de outros familiares meus.

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    1. kkkkkk amoooo! apenas garotas encontrando conforto em seus diários ❤ também queria muito ler diários de outros familiares, principalmente da minha mãe!!

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  2. Adoooro! E amo ler diários tbm, pra mim é o melhor tipo de escrita

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  3. Aiii que delíciaa! Entrei no túnel do tempo com seu relato sobre o diário <3 Saudades daqueles diariozinhos que tinham cheirinho, folhas coloridas, os cadeados bem pequenos que podiam ser quebrados num pisão (kkkkk). Que vc continue escrevendo sempre do seu jeito e que as próximas gerações possam presenciar na leitura a sua criatividade!

    Beijãoo!

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  4. Oiii Karina!
    Que bacana ler sobre isso... olhar os diários antigos e ler o que nos magoava naquela época traz uma nostalgia bem maluca. Eu ainda tenho os meus da Capricho, que vinham cheios de adesivos e mensagens de horóscopo. Lembro de um que eu ganhei lá pelos meus 10 anos, era um presente de uma prima que tinha feito intercâmbio na Alemanha... do Diddl Maus (um ratinho branco) kkkk Eu amava que as páginas tinham cheirinho e glitter. O Diddl inclusive está fazendo seu comeback agora (vi agora que fui pesquisar sobre ele de novo). Que loucura.

    Que essa sua paixão com a escrita sempre continue e te faça feliz!
    Abração

    https://falacatarina.com/

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    1. ai que legaaaal! amei ler o relato do seu diário ❤
      obrigada, também espero continuar escrevendo por muitos e muitos anos!

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  5. Oi, Karina!
    Eu sou como você: me expresso melhor escrevendo e sei que isso é uma benção e uma maldição ao mesmo tempo. Tenho todos os cadernos guardados, desde a minha adolescência. Eu fico pensando o que vai acontecer com eles quando eu não estiver mais aqui. A vida é um mistério, e o registro dela é de uma beleza infinita.
    Que você continue escrevendo!

    Um beijo,
    Fernanda Rodrigues | contato@algumasobservacoes.com
    Algumas Observações
    Projeto Escrita Criativa

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    1. você definiu bem a dualidade da escrita! fico feliz que você ainda tenha seus cadernos antigos guardados, deve ser muito legal poder revisitar a vida dessa forma ❤

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  6. Me identifico demais com o seu relato! A escrita no diário tem um valor terapêutico inestimável pra mim. Mas diferente de você, só fui desenvolver o hábito depois de adulta 🙂

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    1. é terapêutico demais, né? feliz que você tenha se encontrado nesse hobbie tão especial ❤

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Obrigada por comentar. Responderei o mais rápido possível. ❤

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