Logo no começo do BEDA, no post sobre revisitar memórias, postei uma das minhas fotos favorita do meu período de intercâmbio. A Jeniffer perguntou se fiz post e de memória só lembrava de um e ao conferir, realmente, nada passou por aqui. E assim... já se passaram oito anos dessa viagem, mas eu acho que vale um post contando detalhadamente desse momento que foi a realização do meu maior sonho: conhecer a Inglaterra.
Se preparem porque esse post será gigante, boa parte das fotos estão sem edição e acho que esse é o espírito da coisa, ser o mais natural possível!
| minha tia chegou já mostrando suas plantas no jardim e tirando fotos, mas eu estava ainda meio dopada de remédio e absorvendo as emoções |
A Inglaterra sempre foi meu sonho! Aos 14 anos, estava passando por um momento de frustração com minha festa de aniversário (a de 15) e com as promessas que me haviam sido feitas aos 10, mas não poderiam ser realizadas devido nossas condições de vida na época. Eu fiz a única coisa que me era possível: orei e confiei em Deus. Alguns dias depois, uma pessoa ora por mim e diz que Deus me levaria para outro país, eu precisava apenas confiar em suas promessas – vale informar que essa pessoa não era alguém do meu convívio.
Ansiosa como sou, acreditei que aquilo aconteceria logo, mas a verdade é que demorou 10 anos! E ao longo desses anos, sempre pessoas aleatórias me diziam as mesmas palavras. Foi só no meu último ano de espera que entendi que eu estava passando por um teste de tempo, confiança e paciência. Nosso tempo não é o mesmo de Deus. Durante os dez anos, tentei fazer na força do meu braço e sempre dava errado alguma coisa.
Quando finalmente descansei e entendi que não seria da forma que eu queria, meu coração se acalmou e as coisas simplesmente começaram a acontecer. Foi uma sequência de fatos que se encaixavam uns nos outros e facilitaram minha ida para a terra da rainha. Quando conto em detalhes essa história, as pessoas sempre ficam de boca aberta.
Então essa não foi uma simples viagem, mas foi um marco no meu relacionamento com Deus. Além disso, aos 24 anos nossa mente está mais madura para viver algumas experiências.
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Eu cheguei na Inglaterra completamente doente! Passei o voo de ida meio aérea porque estava tomando vários remédios e logo no primeiro dia comecei a ter uma febre como nunca antes na vida, enxarcando os cobertores, sem conseguir levantar para comer... foi um terror! Demorei uma semana para me recuperar por completo e para completar, meu óculos quebrou pouco depois. Meus primeiros dias foram em casa, me adaptando ao clima frio do começo do outono, a rotina familiar (estava hospedada na casa da minha tia) e explorando a cidade durante os últimos dias de férias da minha prima.
Estava na cidade de Eastbourne e amei cada cantinho de lá! A cidade é pequena, ensolarada, com pessoas simpáticas e uma vida tranquila.
Como a primeira semana foi na base de febre, logo que comecei a me recuperar começamos a rodar pela cidade para que eu conhecesse um pouco. Fiz um tour de ônibus e rodei por cada cantinho completamente deslumbrada com a paisagem. Enquanto não resolvia a questão da escola em que iria estudar, esses passeios me fizeram perceber que algumas das minhas roupas do Brasil não dariam conta do vento gelado, então fiz algumas comprinhas na Primark.
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Em um dia qualquer, antes do começo das aulas, fomos até Winchester, capital do condado de Hampshire. A ideia era conhecer a Winchester Cathedral, mas estava fechada para reforma. É lá que a Jane Austen está sepultada, mas na época, eu não sabia disso – o que é um absurdo não saber, já que ela é minha escritora favorita.
Nossa opção além de caminhar pelas ruas históricas era conhecer o Great Hall do Castelo de Winchester. Como gosto de história, fiquei muito encantada com as infos do lugar: Ele foi construído no século 13 por William, o Conquistador. O castelo servia como sede do poder real durante o período medieval. O grande salão era usado como centro social e de refieções, mas por um tempo também ocorriam julgamentos no local. Em 1645, o castelo foi sitiado pela última vez e foi demolido. The Great Hall é a única parte que “sobreviveu”, mantendo-se como um dos melhores salões medievais de arquitetura gótica sobrevivente da Inglaterra. Ele também é famoso por abrigar a lendária Távola Redonda do Rei Arthur e possui uma estátua de bronze da Rainha Vitória feita em 1887.
O local é bem grande e é possível visitar vários espaços, mas não tivemos muita sorte com coisas abertas, então ficamos só ali pelo salão principal. Coloquei um vestidinho medieval e tirei algumas fotos, mas confesso que tenho um pouco de vergonha delas, então fiquem apenas com essas fotos externas.
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E então veio o fatídico dia em que meu óculos quebrou! Minha tia me levou para um lugar em que o exame de vista era gratuito e as armações super em conta. Comprei meu óculos por £25 e dias antes das minhas aulas começarem, ficou pronto! Enquanto isso, eu conhecia os lugares turísticos da cidade meio embaçado kkkk.
Um desses lugares que conheci foi o Redoubt, construído em 1805 como parte dos preparativos anti-invasão durante a Guerra Napoleônica e que serviu de lar para milhares de pessoas durante seus 200 anos de história. Apesar de ser uma cidade pequena, haviam muitas coisas interessantes acontecendo e que meus tios faziam questão que eu conhecesse como uma verdadeira local.
Participava também de atividades escolares da minha prima e uma dessas foi a caminhada anual que pais, alunos e professores realizam. 7km subindo a montanha! Cansativo, mas com uma paisagem de tirar o fôlego!
Ainda não estava me adaptando completamente ao clima e meu nariz sangrou por quase duas semanas. Eu caminhava com um rolo de papel higiênico para todos os lugares de tanto que fungava e sangrava. Nem tudo é lindo, não é mesmo?
Eu costumava ver esses fenos enooormes e comecei a perturbar minha tia para fazer umas fotos que tinha visto no Pinterest – avisa que ela sempre gostou de ser aesthetic kkkk. Pegamos o carro e começamos a rodar e rodar até encontrar uma fazenda que pudesse ser "invadida". Meu tio e prima já estavam ficando sem paciência, mas tia aproveitou para relembrar seus anos de fotógrafa. Fizemos várias, mas aqui lhes deixo apenas essa.
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Ao todo fiquei dois meses na Inglaterra e como esse post já está enorme, vou dividir em duas partes (ou três, não decidi ainda). Na próxima iremos à Londres e finalmente começar a experiência de estudar com europeus e asiáticos.
| Esse post faz parte da série de publicações do BEDA. Post todos os dias às 8h da manhã 😉


















Pô, o óculos quebrar no meio de uma visagem dessa é sacanagem haha que bom que deu pra resolver
ResponderExcluirfoi desesperador! kkkk se eu estivesse sozinha, não saberia o que fazer
Excluireu já fiz um post, recente a propósito, falando como memórias não se constroem da forma que a gente quer. mas em momentos que são caóticos, que você nem percebe que vão se tornar boas memórias na sua cabeça porque no momento tudo parecia ir de contra. a gente tem muito essa visão de que pra ser perfeito, tem que dar tudo certo, que tem que estar bem o tempo todo... e não! muitas memórias boas que tenho guardadas em meu cérebro, foram momentos em que fiquei chateada, de cara amarrada, algum imprevisto chato aconteceu etc. são as experiências que ocorrem sem você pensar muito nelas que contam, não a forma que você gostariam que elas fossem!
ResponderExcluirlindo suas fotos, e você parece mUIIITO feliz. <3333 contente que tenha realizado seu sonho e tudo ter dado certo.
bjss
nicolledulce.wordpress.com
que comentário maravilhoso de ler! obrigada por sempre estar por aqui, Ni ♥️ e concordo super contigo! foi realmente um tempo muito feliz na minha vida e que sempre recordo com muito carinho. beijo enorme!
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