Apesar de parecer solitária, não fazemos a jornada do Antigo Ritual sozinhos. Mesmo afastados, estamos unidos por um único propósito: derrotar vilões e chegar ao final do BEDA mais do que vitoriosos! Por isso, como forma de completar uma missão, convidei três pessoas para responder algumas perguntas sobre escrita e comunidade.
Aline, do Inventando Assunto, é alguém que acompanho há muitos anos e isso é algo que talvez ela não saiba (porque mesmo gostando de comentar nos posts alheios, no passado não era algo que eu fazia com taaaaanta frequência), por conta disso, sabia que ela precisava estar aqui.
Bruna, do Fala Catarina, foi uma descoberta muito agradável, mas não lembro o que me levou ao encontro de seu blog, só sei que amei logo de cara, portanto, a queria aqui.
Felipe, do A Grande Onda, conheci através do Entreblogs. Ele tem produzido muito conteúdo e o blog é recente, então soube que seria uma sábia escolha!
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| imagem da pequena parte da guilda feita pelo amigo Chat GPT |
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O que fez você começar a escrever na internet?
Aline: Meu primeiro blog veio ao mundo quando eu tinha 13 anos. Eu não lembro como eu descobri a existência dos blogs, mas eu fiquei encantada com a possibilidade de ter um diário na internet. Naquela época a gente ainda entrava na internet, então eu sentia que tinha uma partezinha minha nesse mundo tão novo e tão desconhecido. Sempre gostei de me expressar escrevendo (nessa época tinha muitos cadernos com poesia e textos) e um blog era um lugar que eu podia enfeitar do jeito que eu queria para colocar meus pensamentos.
Bruna: Acho que o principal motivo era querer ter algum lugar para me expressar, para colocar para fora tudo que passava pela minha cabeça de adolescente. Quando me apresentaram a ideia de escrever em um blog, essa possibilidade se abriu e de cara pareceu um vício. A cada post que eu publicava e comentários que recebia, eu ficava mais feliz por finalmente ter alguém interessado no que eu tinha para falar.
Felipe: Eu tinha um canal de YouTube que iniciei em 2018 para documentar alguns projetos meus. Depois comecei a fazer resenhas de livros, músicas e jogos. Mas o canal nunca vingou, eu tinha cerca de 100 visualizações por vídeo, praticamente nada considerando que destas, somente 30% assistiam o vídeo até o final. Era muito trabalho montar, fazer script, gravar, editar para um público tão pequeno. Foi bom para aprender a usar vídeos, mas se matar para menos de 30 espectadores era algo que me fazia pensar se valia a pena.
Então em 2026 resolvi me aventurar nos blogs. Mensagens mais curtas, posso adicionar fotos e vídeos e se o leitor desejar ele assiste mais sobre o que foi escrito. Também tento fazer postagens curtas que não consumam mais de 10 minutos do leitor. Por enquanto estou gostando e em 6 meses fiz mais de 130 postagens! Acredito que vou dar uma freada nesse ímpeto todo, mas continuarei postando. Aqui no blog hoje tenho entre 5 e 20 leitores (a maioria do Entreblogs), mas sinto que é melhor que as interações com meu público no canal de YouTube.
Creio que seja uma forma diferente de se expressar, pelas palavras ao invés da voz e imagem. A vantagem é que é muito mais rápido postar que criar um vídeo.
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Existe algum texto seu que você considera um divisor de águas? Por quê?
Aline: Não lembro se algum texto tenha sido um divisor de águas, mas eu tenho alguns textos que eu gosto muito nesse blog, um deles é esse aqui — Não cabe a mim mudar as outras pessoas. Naquela época eu estava com um problema bem sério com um colega do trabalho que me desrespeitou muitas vezes e eu não conseguia fazer nada a respeito. Esse texto foi o começo da minha cura.
Bruna: Para mim tem dois que me marcaram muito. Esse — Eu quero ser lembrada — eu escrevi em um caderno, passei a limpo chorando pensando numa paixonite adolescente que nunca daria certo. Fiquei nervosa por muito tempo, achando que a pessoa ia ver. Foi tão bom clicar em publicar… senti como se tivesse tirado um peso das minhas costas. Esse outro post aqui — Uma carta para meu eu do passado — é o mais acessado do meu blog e nunca pensei no tanto de gente que continuaria acessando meu blog por causa dele. Foi uma carta de paz entre minhas duas versões e acho que me curei de muitas formas escrevendo o texto.
Felipe: Acredito que não tenho um texto divisor de águas. Muitos textos eu nem tenho tanto cuidado na redação e pontuação pois deixo uma IA fazer uma correção de acentos, pontuação e ortografia ao final, assim me preocupo mais com a mensagem que regras e exceções do português. Mas um texto que me orgulho pois consegui sintetizar bem o que eu pensava foi o post de contracultura analógica, fiquei orgulhoso do resultado e refletiu muito bem com o que eu penso.
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Se pudesse voltar ao primeiro post que publicou neste blog, o que diria para aquela versão de você?
Aline: Eu diria que ela ia passar por muitos momentos onde pensaria que talvez não faria sentido continuar aqui, mas que ainda bem que ela não desistiu porque nunca foi tão legal estar na internet escrevendo e colocando meu coração e minhas palavras no blog. Que ela faria amizades e que um dia conheceria um grupo onde as pessoas se ajudam e comemoram de verdade as conquistas uns dos outros. Que ela ia sentir muita vontade de escrever e que conseguiria participar de um BEDA porque não seria solitário. Eu diria pra ela não desistir porque sua escrita poderia sim fazer sentido pra outras pessoas e que ela se curaria de muitas dores escrevendo.
Bruna: Continue escrevendo. Continue se divertindo no processo de escrita. Continue buscando formas de se expressar. Não pare por achar que o que diz não vale a pena, que os outros não vão gostar. O blog é sobre você e não sobre opiniões alheias. Transforme seu cantinho em algo seu, deixe ele do jeito que você gosta.
Felipe: Diria para estudar mais HTML e CSS. Hoje sei o básico básico destes códigos. Sei ler e editar, mas não criar. Copio tudo ou peço ajuda da IA para formatações. Hoje meu objetivo é conseguir entender melhor o código, porque publicar eu já criei um processo que funciona. Talvez refazer o blog em Jekyll como o Pedro do blog Ondeando está quase me convencendo a fazer.
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O que a blogosfera significa para você hoje?
Aline: A blogosfera pra mim hoje é um lugar de descanso do excesso de estímulo que a gente tem nas redes sociais. Ler blogs me ajuda a desacelerar e expande minha criatividade. Ver o quanto as pessoas se dedicam e o quanto elas simplesmente escrevem me inspira e me incentiva a criar também. É uma corrente.
A blogosfera faz com que eu não esqueça da parte de mim que precisa escrever. É bom ter um lugar onde as pessoas não ficam arrumando briga ou sendo cruéis umas com as outras enquanto se escondem atrás de um perfil fake. Ninguém vai ler um texto gigante só pra te xingar nos comentários depois. A gente é mais amorzinho mesmo.
Bruna: Um lugar seguro para existir, que foge das métricas e conteúdos forçados. Aqui tem um bando de gente falando sozinha e interagindo sempre que possível… é incrível. Aqui abre muitas possibilidades de interação e trocas genuínas, o que nos faz de estranhos, amigos. Nesses anos de blog, conheci muita gente que levo para a vida.
Felipe: Hoje a blogosfera para mim ainda é restrita a poucos sites de blogs.
- 1200 do blogroll.org
- 500 do coletivo indieweb
- 2000 do powRSS
- 50 do Entreblogs
- 200 do Lerama
Então eu fico bisbilhotando estes mesmos sites buscando coisas novas. E sim, é conteúdo infinito. Eu creio que com base no Entreblogs a blogosfera é muito ampla mas com poucos canais de acesso. Eu ainda não sei como buscar blogs de temas específicos e os buscadores (Google) não ajudam neste processo.
Eu sempre mando e-mails para blogs em inglês e comento nos chats de WhatsApp do Entreblogs, pelo menos o autor sabe na hora que alguém leu e isto gerou uma reação. Eu acredito que a blogosfera é uma forma de expressão pública de pensamento. Pode ser utilizada de várias formas, mas o senso de comunidade digital é algo que me interessa. Além de ter um espaço seu na internet sem depender de redes sociais.
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Qual foi a coisa mais legal que alguém da blogosfera já fez por você? Ou qual foi o comentário que te deixou feliz/comovido em receber?
Aline: Em 2007 eu fiz uma amiga na internet. A gente comentava nos blogs uma da outra, trocamos MSN e nos tornamos amigas. Em 2010 eu peguei um monte de trens pra ir visitar essa minha amiga na casa dela pro chá de bebê dela. Em 2014 ela me pediu pra ser madrinha da segunda filha dela. Sei lá, acho que essa foi a coisa mais legal que a blogosfera me trouxe.
A outra coisa aconteceu esse mês quando meu blog caiu e teve gente se oferecendo pra criar um blog novo pra mim (inclusive sei que Maria Rita fez isso) caso eu conseguisse ir pra um blog WordPress. Tinha sido um dia horrível e tentaram me ajudar de todas as formas possíveis. Eu nunca vou esquecer.
Bruna: Em 2024, a Mari Trindade do blog Mulher Pequena, (que está em hiato), entrou em contato comigo, dizendo que o filho dela estava fazendo um trabalho escolar sobre os 100 anos de imigração alemã no Brasil e pediu se eu poderia gravar um vídeo falando sobre a cidade que eu moro, qual influência alemã tem no meu estado, como foi crescer falando alemão em casa, histórias de família, etc, tudo isso porque sabia que eu já tinha morado na Alemanha e conhecia esses detalhes sobre mim, por causa do blog. Gravei um vídeo e enviei umas fotos que tinha do país, fotos antigas da família, li um pouco no idioma e foi um sucesso. As crianças adoraram, o filho dela recebeu uma nota ótima pelo trabalho e a professora pediu autorização para mostrar o vídeo em outras escolas.
No mesmo ano, houve uma enchente histórica aqui na cidade, fazendo muitas famílias perderem tudo e até houveram óbitos. Foi horrível! Quase todo o estado foi atingido de alguma forma. Quando ela viu meus stories do Instagram, entrou em contato com a escola e organizaram doações para cá. Conseguiram lotar caminhões com as doações…. Caminhões!!!! Detalhe: a Mari mora na Paraíba e eu no Rio Grande do Sul. Tudo isso aconteceu por causa do blog <3
Felipe: Como sou novo na blogosfera, menos de 6 meses, nenhum evento grandioso aconteceu ainda. Mas cada resposta na caixa de comentários ou no WhatsApp eu me animo e agradeço. Acredito que o primeiro comentário de um gringo em um post em inglês meu, via e-mail, foi muito legal. Saber que alguém de muito longe lê o que escrevo é incrível.
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Bônus – Se seu blog pudesse assumir uma personalidade, como você o descreveria?
Aline: Meu blog é muito do que eu sou, eu descreveria ele como alegre, mas sensível. Embora ele tenha nascido em 16 de fevereiro ele é bem pisciano, assim como eu. Ele gostaria de roupas coloridas e peças de crochê. Alguns dias ficaria introspectivo e nos outros teria vontade de dar uma festa.
Bruna: Acho que seria um mix de curiosa, observadora e um pouquinho excêntrica. Quer descobrir coisas novas, enquanto fica feliz com o simples que já acontece no dia a dia e tem vontades meio fora da curva. Sonhos grandes demais para uma vida pacata. Acredito que também seria teimosa com suas ideias e o jeito de fazer as coisas. É excêntrica mas também é metódica com suas chatices kkkk A combinação mais improvável de Bilbo Bolseiro, Anne Shirley e Amélie Poulain!!!
Felipe: Eu acho meu blog muito sisudo, rígido. Ele é formatado como listas e tabelas, não tem muita personalidade. Um tanto minimalista na página inicial, mas quando você abre o botão de Temas você vê que ele é na real maximalista em conteúdo. Para mim, se fosse um personagem seria um robô gigante, tipo um megazord. Um robô gigante feito com partes de código recortado e colado no estilo do megazord dos power rangers, modular. Sem alma mas cheio de tranqueiras. A personalidade dele é quase nula, eu vejo ele mais como uma planilha do excel com links que realmente uma coisa viva e esteticamente bonita como outros blogs que conheço.
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Estou extremamente feliz com o SIM que eles me deram para responder as perguntas. Foi um prazer fazer essa pequena "entrevista"!
|📜 Registro da Biblioteca Eterna








Eu amei participar e fiquei tão feliz de saber que você já me acompanhava, porque eu realmente não sabia. Foi muito especial ter sido considerada para estar aqui hoje!
ResponderExcluirEu adorei a nossa foto juntos fortalecendo a blogosfera. E é muito bom fazer parte disso tudo.
Muito curioso como cada um tem um motivo e um jeito de fazer o que faz , ainda assim a gente consegue encontrar similaridades.
Um abraço pra você, pra Bruna e pro Felipe